Pedalar a tempo e fora de tempo

Pedalar é preciso…

Frase chavão, mas para mim é a mais pura verdade. Beirando os 60 e com 15kg acima do IMC, não me restava muitas opções a não ser investir em atividade física. Pensei em várias modalidades. Algumas são monótonas, outras causam fortes impactos, para algumas já não tenho mais idade, e muitos exercícios (hobbys) exigem alto investimento.

Por que não bicicleta?

Pedalar aprendi na infância, apesar do alto preço que tive que pagar: um nariz quebrado e joelhos com várias cicatrizes.

Há três anos e com incentivo de alguns amigos, tirei o pó da bike e comecei a acompanhar uma turma em pequenos trechos pelas vias de Curitiba. E não é que eu fui me apaixonando?!
Os dias da semana de pedaladas foram subindo de um para dois, às vezes três, e a distância crescendo de forma rápida de 20 para 80 km em alguns meses.

Aumentou assim a minha disposição, o rol de amigos legais (ciclista é gente boa), minha visão e conhecimentos geográficos da região, e consequentemente do Brasil e da Europa. A paixão foi (e continua) tomando conta. Quando viajo a trabalho ou lazer com a família, geralmente fico sozinho uma semana a mais pela região para aproveitar e pedalar. Isso me enriquece muito…

Um dos muitos momentos inesquecíveis foi o pedal pelo litoral do Piauí. Acredito ser uma das regiões menos conhecidas pelos turistas brasileiros e também uma das mais lindas desse nosso país, sem falar da simpatia e hospitalidade do piauiense.


Na Parnaíba (PI) emprestei (na verdade aluguei por R$ 150,00) de um adolescente uma bike velha (um caroço…), mas tudo bem. Me indicaram a Praia da Pedra do Sal, que fica a 55km do centro de Parnaíba. Cedinho peguei minha mochila, capacete, luvas e fui… Após algumas horas de pedal e muito sol em ruas excelentes e com pouco movimento, cheguei à praia indicada. Não foi o que eu imaginara. Tomei água de coco e resolvi voltar e procurar outra opção. No caminho de volta, já cansado, sol forte, e um pouco desiludido, parei em uma lanchonete bem simples, em uma bifurcação qualquer. Tomei outra água de coco e comecei a conversar com o proprietário e sua esposa. Comecei a contar um pouco da minha vida e da minha certa frustração da praia. Na hora, os dois me interromperam e me aconselharam a não voltar para a Parnaíba, mas pegar à esquerda e ir para o Porto dos Tatus, pegar um barco e visitar a Ilha dos Canários – Maranhão. Meio dia, sem nada pra fazer, sem ter ninguém me esperando em lugar nenhum, pensei: Por que não?

Fui. Mais 30km pedalando, chego a uma pequena cidade no porto. No mercado, a moça me sugeriu pegar o barco pequeno que estava prestes a sair. Dentro dele, comecei a pedir informações sobre a ilha e compartilhei que eu precisava de uma hospedagem simples e barata para um pernoite.

– A minha vó é dona da pousada – respondeu a moça.

Pronto, era o que eu precisava ouvir! Local simples, porém limpo. Comi muito bem, tive as necessidades básicas atendidas, e o fator surpresa (felicidade é realidade menos expectativa) foi o aluguel do quadriciclo com o “Solinha”. Sensação maravilhosa é andar em alta velocidade pelas regiões e depois realizar manobras radicais pelas dunas. Indico demais!
De volta ao Piauí, fiz os 70km de litoral. Fui de ponta a ponta, do Maranhão ao Ceará de forma tranquila e visitando as lindas e tranquilas praias.


Outro momento inusitado foi a travessia de barco da praia de Macapá para Barra Grande e depois colocar a bike na carroça puxada pelo burro, pois com maré alta e areia muito fofa é impossível pedalar. Antes de voltar para Macapá (pousada), tive que comprar foguetes (fogos de artifício) e na beira da praia chamar o pessoal do barco para virem me buscar.

Dicas

Não pode faltar: Protetor solar, muita hidratação, camisa branca de manga longa que protege do sol e das tempestades de areia (chamada lixa), óculos de sol e analisar a direção dos ventos. Pedalei grande parte contra ventos fortíssimos (o litoral do PI é ideal para prática do “kitesurf” devido aos ventos) pelo fato de ter ido do Maranhão ao Ceará. Se tivesse feito o contrário (CE ao MA), era só ter colocado uma vela atrás da bike e voltar curtindo sem pedalar… (risos).

Se tiver oportunidade de visitar e pedalar pelo litoral do Piauí, onde o turista é bem tratado e de forma justa, não perca a chance! É bom demais!

Grande abraço e para qualquer dúvida ou dica, deixe nos comentários abaixo!

 egon