Dupla sai de Curitiba e percorre 800 Km de bicicleta

Dois ciclistas realizaram a Expedição Trans SC, onde pretendiam atravessar o estado de Santa Catarina, percorrendo mais de 800 km de bicicleta, saindo de Curitiba (PR), e deslocando pela BR 101 até Tubarão (SC), passando pela Serra do Rio do Rastro, São Joaquim, Lages, São Miguel do Oeste e finalizando na fronteira com a Argentina. A dupla, formada por Policiais Militares, Sargento Bento Eliseo Aleixo e o Soldado Marcelo Borges Vieira, levou oito dias para chegar ao destino e contou com o apoio dos Policiais Militares de Santa Catarina, da PMSC, que ajudaram com a alimentação e hospedagem.

No sábado (21/05) o saíram de São José dos Pinhais, percorrendo 170 Km até o município de Barra Velha. Lá ficaram hospedados na casa dos pais de um policial da PMPR.  No dia seguinte, no domingo (22/05), onde a parte da tarde e inicio da noite tomaram muita chuva, os policiais militares seguiram até o 7º BPM da PMSC, em São José cidade metropolitana de Florianópolis, quando chegaram por volta das 19:30 horas, onde pernoitaram após percorrerem 135 Km.

Na segunda-feira (23/05), os viajantes pretendiam chegar a cidade de Tubarão, porém um vento sul que soprou na direção contrária aos ciclistas impediu que chegassem ao 7º BPM da PMSC deste município, assim chegaram a noite, por volta das 19:30 horas, no município de Laguna, a dupla, já muito desgastada, após enfrentarem 105 Km, conseguiram se hospedar no Hotel Recanto.  Na terça-feira (24/05) após chegarem à cidade de Tubarão seguiram pela SC – 370 em direção a Lauro Muller, após percorrer 95 Km, chegando às 19:00 horas, onde se hospedaram num hotel.

Na quarta-feira (25/05), os ciclistas enfrentaram o trajeto até a cidade de Bom Jardim da Serra,  apenas 35 km, porém com a temida e bela Serra do Rio do Rastro a ser vencida, o que foram necessárias 5 horas,  com um longo aclive, sendo 1.421 metros somente no trecho de Serra, o que torna este trecho da SC-390 um dos mais belos cartões postais do Brasil, após concluírem o trecho os PMs almoçaram no Restaurante Tropeiro, e após o dono ofereceu as instalações, nos fundos do estabelecimento, para acamparem e usarem o banheiro.  Na quinta-feira (26/05), foram percorridos 100 km, passando pela cidade de São Joaquim e chegando ao pequeno município de Painel, onde generosamente foram recebidos pelo Sgt Xavier , do Agrupamento do 2º BPM da PMSC,  onde os policiais militares receberam hospedagem e alimentação do irmão de farda.

Na sexta-feira (27/05) os ciclistas avaliaram que não seria possível concluir o objetivo, pois a Serra do Rio do Rastro e a geografia acidentada de Santa Catarina haviam requerido um esforço imenso e avaliou-se que não conseguiriam a concluir a missão de atravessar o estado. Optou-se em pedalar mais 30 Km, até Lages, onde também puderam usufruir da hospedagem no 6º BPM, usando as instalações e se alimentando, e também podendo aproveitar o tempo para conversar com os irmãos da PMSC. Em Lages compraram passagens de ônibus até o município de Maravilha, já no oeste catarinense. Onde no ultimo dia, Sábado (28/05), pedalaram mais 110 Km neste dia, chegando até a Fronteira com a Argentina.

De acordo com Marcelo Borges Vieira, mesmo com a chuva, frio e demais intempéries os policiais militares deram continuidade ao percurso. As bicicletas usadas por eles têm 24 marchas, sendo necessários treinamento para ter força física e a técnica para seguir com bicicleta e a bagagem mesmo nas subidas mais acentuadas.

Segundo Vieira, a viagem de bicicleta possibilita conhecer muitas pessoas e apreciar lugares que jamais você conseguirá num automóvel. “Não queremos impor uma nova forma de viver, apenas propor uma forma de transporte, um meio saudável de deslocamento, acreditando na possibilidade de aproveitar melhor a vida, pedalando. Onde procurar realizar uma provocação nas pessoas, pois se é possível viajar de bicicleta porque não posso utilizá-la para meu deslocamento ao local trabalho”, afirma.

TRANS SC – É uma etapa, uma viagem treino,  de um projeto maior que é a Ciclo-Oceanos, uma expedição que será  realizada com bicicletas, provavelmente em 2020, onde os participantes sairão do litoral do Paraná, e seguirão até a cidade de Valparaíso, no litoral do Chile, um percurso de 3.200 Km.  Em 2015 estes mesmos policiais realizaram a Transparaná, saindo de Paranaguá e chegando em Foz do Iguaçu percorrendo mais de 800 Km.

A expedição Ciclo-Oceanos, é uma forma de provocar duas atitudes nas pessoas, buscar a consciência de se praticar uma atividade física e apresentar a bicicleta como um meio de transporte sustentável, que promove a saúde ao seu usuário, não polui o ambiente e não congestiona as vias públicas.

 “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.   Tiago 4:15

Agradecemos a Deus que nos deu saúde e condições de percorrer mais de 800 quilômetros nesta nossa 2ª Cicloviagem.  Agradecemos imensamente a bondade e a generosidade de todas as pessoas que nos abençoaram durante a viagem, pois foram instrumentos de Deus para nos ajudar a vencer o grande desafio de viajar de bicicleta. Seja com hospedagem, alimentação, serviços, orações e toda energia positiva que dirigiram a nós durante nossa expedição. Gostaria de expor os nomes de cada um neste texto, porém poderia esquecer-se de alguém e não quero cometer tal ato de ingratidão.

Mesmo com a chuva e demais intempéries, principalmente com o vento contrário, demos continuidade ao percurso. Tínhamos como projeto inicial percorrer 1.150 Km, porém tivemos que mudar nossos planos diante da imponente e bela geografia de Santa Catarina, diante da qual não fomos resistentes o possível para cumprir tal meta. Mas mesmo da aparente derrota conseguimos extrair muito aprendizado para as futuras viagens de bicicleta. Pois da nossa pretensão inicial faltaram pedalar as distâncias entre as cidades de Lages e Maravilha, deixando de percorrer 350 Km, uma pena porque Santa Catarina é um lugar muito bonito.

TRANS SC foi uma etapa, uma viagem treino, de um projeto maior que é a Ciclo-Oceanos, uma expedição que será realizada com bicicletas, provavelmente em 2020, onde os participantes sairão do litoral do Paraná, e seguirão até a cidade de Valparaíso, no litoral do Chile, um percurso de 3.200 Km.  Em 2015 realizamos a Transparaná, saindo de Paranaguá e chegando em Foz do Iguaçu percorrendo mais de 800 Km, pela BR 277. Pretendemos em 2018 realizar a Trans RS, saindo do norte do Rio Grande do Sul e deslocar até outra extremidade deste estado.

Realizando uma viagem de bicicleta possibilita conhecer muitas pessoas e apreciar lugares que jamais você conseguirá num automóvel. Não queremos impor uma nova forma de viver, apenas propor uma forma de transporte, um meio saudável de deslocamento, acreditando na possibilidade de aproveitar melhor a vida, pedalando. Onde procurar realizar uma provocação nas pessoas, pois se é possível viajar de bicicleta porque não posso utilizá-la para meu deslocamento ao local trabalho. Ainda há os benefícios que o exercício aeróbico que o ciclismo proporciona ao nosso corpo, nos favorecendo com uma melhor qualidade de vida. O cicloturismo é uma forma de provocar duas atitudes nas pessoas, buscar a consciência de se praticar uma atividade física e apresentar a bicicleta como um meio de transporte sustentável, que promove a saúde ao seu usuário, não polui o ambiente e não congestiona as vias públicas.

Mas como muitos autores de livros, sobre o cicloturismo, relatam a viagem acontece mesmo é na sua alma. O fato de você deixar o conforto de sua vida urbana, e até mesmo do seu carro, você acaba perdendo a sua autonomia sobre sua vida, acaba dependendo das circunstâncias, ou até melhor, acaba dependendo … e acreditando em Deus. Foram diversas situações onde não tínhamos “controle” da viagem, não havíamos previsto tantas manutenções nas bicicletas ou o vento contrário na BR 101, só tínhamos um itinerário a percorrer, e a viagem foi se construindo de uma forma totalmente diferente daquilo que havia sido planejado. Tive que engolir meu orgulho de me achar um Administrador eficiente, tive que reconhecer minha fraqueza física, tive que ser humilde e aceitar que errei no planejamento, tive que conviver com minha frustração (…) porém concluí a viagem com duas assertivas:

Não existe projeto sem plena participação de outras pessoas. Eu dependo que conselho, orientação, e apontamentos de outras pessoas, também dependo de ajuda, apoio e incentivo das pessoas. Sempre ficou evidente em minhas atitudes que sou uma pessoa centralizadora e confiante, e que não gosto muito de dividir a liderança, esta viagem me deixou mais humilde, estou aprendendo que preciso ouvir mais as pessoas, principalmente as que estão mais próximas de mim.

Deus existe.  No dia que subimos a Serra do Rio do Rastro pedalamos por 5 horas seguidas, quando faltavam quase 1 hora e meia para terminar, quando já estava nas curvas da Serra, estava usando a marcha mais leve, estava pedalando em pé (quando é possível usar o peso do corpo para pedalar) e o Aleixo já estava uns 200 metros a minha frente, estava esgotado fisicamente, não conseguia nem gemer de tanto cansaço, nesta hora eu quis desistir. Mas pensava o Aleixo esta com o tornozelo lesionado e está persistindo, não posso fazer isto. Daí eu fiz a oração mais sincera que havia feito nos últimos anos, eu falei: Deus me dá força. Não sei como explicar, mas cheguei até o Mirante da Serra. É inexplicável, mas Deus me ouviu e me deu força.

A viagem de bicicleta ela é diferente, e faz muito bem, para o corpo e para a alma.