Cuidados com exposição solar, micoses, herpes … tire suas dúvidas!

Cuidados com a exposição solar durante atividades físicas
O sol é fonte de luz e vida, mas a exposição à radiação solar sem a devida proteção induz ao fotoenvelhecimento e favorece o aparecimento do câncer de pele, além das queimaduras devido à exposição excessiva em horários não apropriados. É indicada a proteção solar diária com um filtro com FPS 15, no mínimo. A exposição solar intencional com a finalidade de síntese de vitamina D não é recomendada, sendo que em indivíduos com níveis insuficientes ou deficientes devem procurar a reposição por via oral com suplementos. Durante a atividade física, principalmente pela sudorese abundante, o ideal é a utilização de filtros que não saiam facilmente e que não escorram ou ardam nos olhos. A utilização de filtros solares de amplo espectro (que protegem contra os raios UVA e UVB), com FPS 30, com aplicação pelo menos 15 minutos antes da exposição é recomendada. Filtros com formulação não oleosa podem ser encontrados, bem como alguns específicos para a prática desportiva, por serem mais resistentes à água e ao suor e, ainda, filtros que podem ser utilizados no couro cabeludo e nas áreas pilosas. A reaplicação deve ser feita a cada duas horas ou se sudorese intensa e a utilização de meios mecânicos de proteção também é bem vinda, como bonés e camisetas (existem tecidos finos que permitem a evaporação do suor mas possuem proteção UV). A proteção dos lábios não deve ser esquecida, com bastões contendo filtro solar, bem como é igualmente importante a proteção ocular, com utilização de óculos de sol com lentes apropriadas para a proteção UV. Protegido, você estará pronto para a prática desportiva saudável. Lembrar que os períodos de pico de radiação solar tanto UVA quanto UVB ocorrem ao meio dia, mas em nosso país tropical, os índices de RUV (radiação UV) em algumas partes do país são altos durante o ano todo e mesmo em horários considerados “seguros” como 8 ou 9 horas da manhã. Além disso, é importante salientar que o sol não está presente apenas na praia ou na piscina. Nas cidades e em dias nublados, também estamos expostos à RUV.

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Micoses em atletas
A umidade e o calor favorecem a proliferação de fungos na queratina da nossa pele, unhas e cabelos. As micoses mais comuns em atletas são as causadas pela Cândida e pelos fungos dermatófitos e ocorrem principalmente nas pregas da virilha, axila, espaço entre os dedos dos pés e unhas. A Cândida é uma levedura que faz parte da nossa flora normal, mas pode se tornar patogênica em caso de diminuição da imunidade ou quando encontra condições favoráveis à sua proliferação (caso de atletas), por aumento da umidade, associado à maceração local. As lesões são geralmente mais úmidas, de cor vermelho vivo e podem apresentar coceira. É importante, além da orientação médica, diminuir os fatores predisponentes como a utilização de roupas que permitam a transpiração, medidas para diminuir a sudorese e a fricção. Já os fungos dermatófitos podem causar descamação com limites bem definidos na virilha, axila, espaço entre os dedos e são os principais fungos causadores das micoses das unhas. Traumas frequentes nos dedos dos pés em corredores, jogadores de futebol, etc. podem favorecer a entrada do fungo, que comumente afeta primeiro a parte de fora da unha progredindo para a raiz. O tratamento deve ser orientado pelo médico, os calçados devem ser tratados e a hiperhidrose (suor excessivos nos pés) pode ser controlada, pois a umidade favorece a proliferação do fungo.

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Herpes no ambiente esportivo – contágio, mitos e verdades
O vírus herpes simples é muito prevalente em nosso meio. A maioria dos adultos já entrou em contato com o vírus em algum momento da sua vida. Alguns apresentarão a doença (usualmente estomatite herpética quando criança) e depois podem evoluir com herpes labial recorrente, mas os atletas podem ter a inoculação do vírus em outras partes da pele, principalmente aqueles que realizam esportes de contato pele a pele como Jiu Jitsu, luta greco-romana, etc., sendo chamada nesses casos de herpes
gladiatorum. Atletas que praticam esportes ao ar livre podem ter reativação do seu herpes simples pela exposição solar. No herpes recidivante, apesar da carga de vírus ser menor do que no primeiro episódio, há a possibilidade de contágio, principalmente se houver solução de continuidade na pele ou mucosa (pequenos ferimentos, arranhões, que podem não ser visíveis a olho nu). Uma vez que o vírus penetra, pode causar a primo-infecção e, posteriormente, o vírus se mantem latente em um gânglio próximo, podendo ser reativado com inúmeros estímulos (baixa de resistência, trauma local, exposição ao sol, etc.). Ainda não há tratamento curativo para o herpes simples, sendo importante o controle das crises e recidivas sempre com a orientação médica.

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Escabiose – cuidados e tratamento
A escabiose (ou sarna) é uma parasitose causada pelo
Sarcoptes scabiei variedade hominis. O contágio geralmente é pelo contato direto, uma vez que o parasita não sobrevive muito tempo fora do organismo. As lesões se caracterizam pela coceira, principalmente noturna (devido ao fato da fêmea sair para desovar nesse período) e por lesões localizadas nas regiões mais quentes, como axilas, virilha, região do abdômen, na prega abaixo das mamas e entre os dedos. Muitas vezes confundida com uma “alergia”, se não diagnosticada adequadamente traz grande desconforto, além da possibilidade de disseminação para outras pessoas. Ao contrário do que muitos pensam, não é sinônimo de descuido ou falta de higiene e o tratamento deve ser orientado sempre pelo médico, juntamente com o tratamento dos contatos próximos e lavagem das roupas de cama. A sarna de animais como gatos, cães e coelhos pode afetar o homem de maneira menos frequente, possuindo clínica e tratamento semelhante à sarna humana, mas usualmente com quadro menos intenso e auto-limitado. É comum em surtos em escolas, creches e asilos pela proximidade das pessoas em ambientes fechados. A coceira pode causar machucaduras na pele e, inclusive, infecção sobrejacente por bactérias.

Dra. Kerstin Taniguchi Abagge – CRM 12996-PR
Presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria
Dermatologista Pediátrica
Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Pediatria – Área de Dermatologia Pediátrica – HC – UFPR