A criança é um ser em desenvolvimento físico e mental

Children playing outdoors

A criança é um ser em desenvolvimento físico e mental. Os processos anabólicos presentes necessitam de uma demanda maior de nutrientes do que nos adultos. Agora, se pensarmos na criança atleta, podemos imaginar que a sua demanda metabólica precise ser bem maior para manter o desenvolvimento físico e compensar o gasto calórico energético da atividade física. Temos poucos estudos ainda sobre crianças e atividade física, pois há dez anos atrás esse era um universo bem incomum. Hoje temos crianças atletas em nosso consultório rotineiramente, e, por isso torna-se necessário conhecermos algumas peculiaridades deste paciente pediátrico, a fim de evitarmos carências nutricionais e prejuízos ao desenvolvimento físico e ao seu desempenho esportivo.

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Sabemos que requerimentos diários de proteínas por unidade de peso corporal são maiores para crianças do que para adultos.Para crianças e adolescentes, é necessário manter um balanço nitrogenado positivo, ou seja, ingesta maior que a utilização para promover crescimento e desenvolvimento adequado de órgãos e tecidos. Há inúmeras diferenças do uso energético entre adultos e crianças durante a atividade física. Sabe-se que a criança necessita de mais energia que adolescentes e adultos, em atividades físicas como o caminhar ou o correr.

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Uma criança de 7 anos de idade, necessita de 25 a 30% mais energia por Kg de massa corporal, quando comparada a adolescentes ou adultos, executando uma mesma atividade física. Uma das causas deste fato é a “cocontração”, ou seja, uma incoordenação entre musculatura agonista e antagonista durante atividade física . Outra diferença observada em alguns estudos, sugere que em exercícios prolongados a criança use relativamente mais gordura que carboidrato. Da mesma maneira, em atividades físicas intensas e de curta duração as crianças parecem depender mais do metabolismo energético aeróbico (no qual a gordura é a fonte principal de energia) do que do metabolismo anaeróbico (que utiliza o glicogênio muscular como principal fonte de energia). Isto explica porque crianças tem menos sucesso em “atividades anaeróbicas” de potência elevada, como “sprints” e saltos. Essa causa ainda não foi esclarecida, assim como qual a principal fonte de gordura a ser utilizado para essa população. Apesar disso está claro e não há evidências que sugiram que crianças atletas e não atletas devam consumir mais que 30% do total de energia consumida como gordura.


Outra preocupação é com o aquecimento da criança que é maior que o adulto e, portanto, pode desidratar mais facilmente que este. Pode desenvolver a “desidratação consciente” mais rapidamente que o adulto devendo ser estimulada a receber líquidos antes, durante e após a atividade física, que sejam palatáveis, contendo carboidratos e eletrólitos.

Portanto, concluímos que a maior parte das pesquisas sobre nutrição esportiva foram feitas com adultos. Apesar das respostas fisiológicas à atividade física serem semelhantes a dos adultos, há particularidades que podem implicar no requerimento nutricional pelo jovem atleta. Por este motivo tabelas nutricionais de adultos não podem ser aplicadas às crianças. E, até hoje, poucas tentativas de tabelas feitas para crianças,  subestimaram suas necessidades calóricas e energéticas. Faz-se necessário estudos e empenho para poder abordar de maneira correta o paciente pediátrico atleta. Treinadores, pais e pediatras devem estar atentos às necessidades proteicas, as diferenças relacionadas com a idade e o gasto energético durante o exercício, as diferenças no uso de carboidratos e gorduras no exercício prolongado e estimular a ingesta hídrica para prevenir a desidratação induzida pelo exercício físico.

Dra. Sandra Regina Moraes
Pediatra – CRM 13322 – PR